Get Adobe Flash player

Artigos

25/03/2012 - Contribuição do Ir:.Gerson Merçon Vieira

Aproveita Seu Tempo

Aproveita seu tempo, não o desperdice com coisas “vãs”. Lembra teu criador nos dias de tua juventude, antes que cheguem dias maus e advenham anos dos quais dirás: Neles não tive qualquer prazer. Que é o tempo? Para um atleta amante da natação, um segundo é uma eternidade. Os treinos durante um ano podem ter como objetivo baixar sua marca em um segundo, e se conseguido, certamente haverá comemoração. Porem, para um geólogo, dez mil anos é tempo irrisório, quase nada acontece na superfície das rochas, mesmo nos climas mais quentes. Como avaliar se o homem aproveitou seu tempo na terra? Se viver noventa anos, quantos serão de vida útil, desfrutando de todo trabalho que realiza debaixo do sol? Há um tempo para nascer, um tempo para aprender, um tempo para trabalhar, um tempo para procriar, um tempo para se retirar de toda labuta e um tempo para ir morar com seus pais. Muito breve a vida do homem.

Existe vasta literatura sobre o livro do “Eclesiastes”, os comentadores têm opiniões diferentes quanto ao idioma original, autor e época em que foi escrito. A literatura religiosa mais ortodoxa e fiel a interpretação literal, atribui a autoria ao Rei Salomão, entre 970 a 930 A.C. Mas há também aqueles que atribuem a autoria a um escriba, entre 250 a 225 A.C., em um tempo após Alexandre Magno e já sob influência helenista. A região da palestina sempre foi muito disputada pelos antigos impérios do Egito, Pérsia, Assíria e Roma, pela localização estratégica, rota de comércio entre vários paises. Há edições da Bíblia que ao explicar o “Eclesiastes”, situa a redação no III Século AC, sob tirania do Egito no tempo dos Ptolomeus. A carga tributária imposta por Alexandria, fazia sofrer a maior parte da população, submetida também à aristocracia local. Porem, o mais importante de tudo é a verdade na essência do livro do “Eclesiastes”, que não tem data nem lugar, é igual em todos os tempos.

No tempo em que estas coisa foram escritas, havia poucas modalidades de trabalho. A maior parte da população vivia de atividades agropecuárias, pouco produtivas, jornada longa, riscos diversos e muito sofrimento. Outros viviam de artesanatos, pequenos serviços e o comércio. O trabalho mudou muito ao longo destes anos. Houve grande evolução científica, principalmente nos séculos XVII e XVIII D.C., com uso aplicado destes conhecimentos nas novas tecnologias e a revolução industrial. Então, novas formas de trabalho surgiram, multiplicaram-se as profissões e a produtividade foi muito elevada. Para uma grande parte das pessoas, o trabalho deixou de ser um sacrifício e tornou-se até mesmo motivo de satisfação. O trabalho intelectual antes restrito a uns poucos escribas, passou a ser exercido em vários campos do conhecimento e o homem passou a aproveitar melhor o seu tempo.

Comer e beber, em “Eclesiastes”, é uma metáfora de viver bem . O melhor que faz o homem é comer, beber seu vinho e alegrar-se junto da mulher que ama. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte, a gente quer saída para qualquer parte”. Perfume-se, vista roupa de festa. Se tu gostas de carnaval, fantasie-se, permita-se algum luxo, pois, “quem gosta de miséria é intelectual”. Ao desfrutar o produto do seu trabalho, evite os excessos, cuidado para que este desfrute não lhe cause sofrimentos e também não impeça que teu próximo desfrute de todo labor que realiza debaixo do sol. A verdadeira felicidade está acompanhada da virtude. Ademais, o homem precisa lembrar que tudo que consegue usufruir é dom de Deus e que um dia vai ter que prestar contas. Eleve-se espiritualmente e entenda que o temor a Deus é princípio de Sabedoria.

1:2 Tudo é vão e fútil, diz Cohélet; futilidade das futilidades, sim, tudo é fútil.
1:2 ¡Esto no tiene sentido!, decia Qohelet, ¡ esto no tiene sentido, nada a qué aferrarse!
1:2 Vaidade das vaidades, diz Qohélet, vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
1:2 Vanity of vanities, saith the Preacher, vanity of vanities; all is vanity.

Há edições da Bíblia que repetem muito a palavra “vaidade” e há também aquelas que a substituem por termos que se equivalem. O termo hebraico “hebel” foi vertido para o latim como “vanitas”, para nós “vaidade”, com o sentido de “vacuidade”. Se atentarmos para o sentido original do termo hebraico, literalmente quer dizer sopro, vapor, neblina, o que se desfaz no ar, coisa passageira. Os termos substitutos como frustrante, ilusão, vão e fútil, perseguir vento, coisa vã, frustrante e doloroso, vazio e frustração, passageiro e fútil, são encontrados em outras edições. Entretanto, o termo “vaidade” foi banalizado com o sentido negativo de “querer atrair admiração e elogios, presunção e futilidade”. O homem precisa dar um verdadeiro sentido aos dias que Deus lhe concede debaixo do sol, para que sua existência não seja vã, uma “vaidade”.

Alegrar-se com o fruto de muito trabalho que realiza debaixo do sol, não é mais só comer, beber e adquirir bens materiais. Com a evolução da humanidade, para muitas pessoas a felicidade se realiza também ao usufruir de bens não matérias. Resolvidas suas necessidades materiais mais simples, o homem pôde evoluir espiritualmente. Hoje em dia muitos homens são amigos do saber e podem dedicar algum tempo ao conhecimento, buscando-o em muitas fontes, como em viagem, literatura, cinema, teatro e museu. O amigo do saber entende que os vícios e os erros não são só falhas morais e sim que resultam da ignorância. O perverso é um tolo que faz mal a si próprio. Com a instrução, evitamos o erro e a perda de tempo em repará-los. O passado não volta, o futuro é incerto, o contato com a eternidade é no presente.

A prudência é útil para reduzir riscos, isto não é novidade debaixo do sol. Quem cava um buraco pode nele cair. Quem quebra pedras pode ferir-se e quem corta lenha também, então, use EPI. Quem encanta serpente arrisca ser mordido por ela, então, vá ao petshop e compre um periquito exótico. Quem vai ao banco arisca-se a seqüestro relâmpago e ao tal golpe da saidinha. Quem faz transação pela internet ou escolhe as horas de menor risco, protege-se. Tome as devidas precauções na rede, não abra qualquer E-mail. Usa seu tempo de maneira proveitosa nas redes sociais, pois os vícios e o crime também se servem deste recurso tecnológico sofisticado. Use cinto e só ultrapasse com segurança. Tua espiritualidade é dom de Deus, aprimore-a e evite os abusos da superstição, do fanatismo e da intolerância.

Há um conhecimento especial adquirido pela experiência de vida, que muitos chamam sabedoria. É importante ao discernimento, à percepção profunda e dá vida a quem a possui. Este conhecimento permite o uso adequado de todo o saber e imprime em nos uma filosofia de vida. Não deve ser confundido com erudição nem é prerrogativa de anciãos. Há eruditos que não são sábios e sábios que não são eruditos. Todo conhecimento vem de Deus e é patrimônio de toda humanidade. Todo saber que recebemos das gerações anteriores, devemos transmitir às gerações que nos sucedem. Devido a este saber muito especial e pelos atos que praticam, alguns homens são considerados livres e de bons costumes. Convidados e levados à porta do Priorado, eles são recebidos pelo terrível sacrificador.

O “Eclesiastes”, teu hierofante, bateu seu ombro e disse: “confia em mim”. Concordastes em afrontar os perigos e o conduziram por caminhos escabrosos. No antro da morte registrastes seu testemunho espiritual, provastes da bebida doce e esgotastes seu amargor. Purificado pela água e pelo fogo, raios flamejantes apontaram em sua direção. Em sentido inverso fizestes a revisão do caminho percorrido, compreendestes a força da alavanca, aprendestes a bem usar os sentidos, até que a assembléia o considerou apto à plenitude dos direitos administrativos no Priorado. Em local pouco iluminado e decorado de acordo, encenastes a lenda do mestre de obras, assim como faziam os antigos mistérios, para ensinar a imortalidade. Nos graus anteriores te ensinaram sobre fraternidade e igualdade. Agora, neste novo grau iniciático você conquistou a liberdade.

Que vai fazer você, com a nova condição de iniciado, no número de dias que Deus lhe concede debaixo do sol? Como vai usar esta liberdade? Assumistes o compromisso de ensinar o que sabe, aprender o que ignora, juntar o que está disperso e guardar discrição sobre nossos trabalhos.
Aprenda sobre as origens, princípios e finalidade da ordem. Reprise periodicamente as instruções do grau. Teu saber deve estar em permanente desenvolvimento. Faça busca na rede com as palavras chaves “Comentário de Eclesiastes” e Midrash Qohelet. Lembra da lenda que encenastes, nela o mestre de obra é vítima de colegas ignorantes, fanáticos e ambiciosos que não sabem a finalidade da corporação. Não se torne um deles. Não tente ser o dono do Priorado.

Todos que tentaram se deram mal, nem são mais lembrados, correram atrás do vento. Exerça cargo administrativo conforme a justa vontade da coletividade. “Nunca desejais ser apenas titulares de diplomas e portador de insígnias”. Monumentos, exposição de símbolos, festas, não será tudo isto só aparência? Reflita. É possível que o “Eclesiastes”, teu Hierofante, te diga que tudo isto é vão e fútil, perda de tempo, vento que passa, vaidade das vaidades.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade

Vila Velha, fevereiro de 2.012

Gerson Merçon Vieira
CD 3.875

A.´.R.´.L.´.S.´. Republicana Nº25

Literatura Consultada
1- Torá, A Lei de Moises, Editora Sêfer, São Paulo-SP, 686p, 2001.
2- La Bíblia, Editorial Verbo Divino, Madrid, 57º edição, 650p, 2.005.
3- Bíblia, Tradução Ecumênica. Edições Loyola, São Paulo-SP, 2.480 p, 1.994.
4- The Holy Bible, National Publishing Company, Commonly Known as the Authorized ( King James ) Version, by the Gideons International, 1978.
5- Trinta, Joãozinho. In “Pobre gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual”.
6- Antunes, Arnaldo; Fromer, Marcelo; Britto, Sérgio. In “Comida”, música gravada pela banda “Titans”.
7- Storniolo, Ivo. In Trabalho e Felicidade, O Livro do Eclesiastes, Editora Paulus, São Paulo-SP, 151p,2.002.
8- Brakemeier, Gottfried Dr. . In 10º Domingo após Pentecostes, 05-08-2.007, C:\Documents and Settings\Administrador\Desktop\Gottinger Predigten im internet.mht.
9- Menassa, Delecampio José. In Para entender melhor o livro de Eclesiastes, C:\Documents and Setting\Administrador\Desktop\Para entender melhor o livro de Eclesiastes Delecampio José Menassa.mht.
10- GLMEES, In Ritual do Grau de Mestre Maçom, GM Gráfica & Editora Ltda, Vitória-ES, 118p 2º edição, 2.007.
11- Petry, André. In A Vida Depois da Vida, Revista Veja, Edição 2.256, de 15-02-12, Ed. Abril, p97 a 104, 2.012.
12- Caliman, Orlando. In Economia de Serviços, jornal A Gazeta, 22-02-12, Vitória-ES, p31, 2.012.
 

Voltar Imprimir